Felicidade é…

… Ter amigos!

Estava ouvindo no carro um CD de Jamie Cullum, quando uma música me chamou a atenção. Em tradução livre, o refrão dizia: “Nestes tempos de prazeres superestimados e de tesouros subestimados, fico feliz que você exista“. Na hora, não pensei num amor, num amante ou num marido: o que me veio à cabeça foram os amigos.

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Nestes tempos em que tudo e todos exigem eficiência, coerência e firmeza, é um bálsamo saber que, com os amigos, podemos ser inseguros, indecisos, carentes, mal-humorados ou excitados em excesso. Nestes tempos de valores tão distorcidos e efêmeros, é um conforto saber que podemos contar com os amigos para as coisas grandes e para as pequenas também. Principalmente para as aparentemente pequenas! É o Márcio ligando para dizer quais os filmes em cartaz que valem a pena ver. É a Carla, que volta de férias e traz de Paris aquele patê que sabe que você adora. É a Mary, que manda e-mail para saber se você melhorou do resfriado. É a Laura, que tira você da cama num domingo à tarde para tomar um chope e faz você rir dos casos complicados que ela vive intensamente. É a Beth, que consegue para você uma consulta com aquela taróloga disputadíssima. É o Pedro avisando que abriu um bar ótimo perto do trabalho. É a Ana Lúcia convidando para uma noitada com vinhos e conversa fiada. Esses são os amigos que fazem parte de sua vida hoje, mas existe também a outra categoria: os amigos da adolescência, aquelas que encontramos raramente. Como a sua melhor amiga dos tempos da escola, que já tem uma filha de 10 anos que você viu pela última vez no batizado. Sobre o que vão conversar? Sobre casamento, filhos e as respectivas carreiras, certo? Errado! Vocês vão se lembrar das tardes em que comiam escondido leite condensado com chocolate. Daquela vez em que o primo dela deu em cima de você. Da tortura que era usar aparelho nos dentes, achando que todas as outras meninas eram mais bonitas que você. Da primeira vez que depilaram a perna ou vestiram um biquíni de cordinha.

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E a filha de sua amiga vai estar na sala nesse momento, ouvindo a mãe e aquela mulher desconhecida – você – rindo alto e com os olhos marejados. E não vai entender nada. Nem poderia.
Existe uma magia entre os amigos que é única: a cumplicidade para rir das boas e más lembranças. E esse momento, de gargalhadas e olhos úmidos, vai se transformar em outra lembrança. Para você recordar daí a alguns dias, semanas ou décadas.

A felicidade de ter amigos é que eles vivem com a gente no passado e no presente.

Texto: Ana Cristina Reis | Fonte: Revista Claudia/2011

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