Não Era Um Dia Qualquer

Quando abriu os olhos o dia parecia estar bonito lá fora. Abriu a janela e avistou algumas nuvens, mas nada que cobrisse o sol ou desanimasse. Afinal, dias nublados e chuvosos sempre a deixavam de cara amarrada. Não estava atrasada, mas também não podia bobear, dentro de uma hora precisava estar do outro lado da cidade para mais um dia de aula.

Sua primeira troca de palavras foi com o porteiro, ela disse “bom dia”, ele respondeu e ela sorriu. Bateu os pés para descer a escadaria do condomínio e chegando no último degrau deu um pulinho, como de costume. Sentou-se na terceira carteira, na frente do seu melhor amigo e encostada na janela. Rabiscou os cantos do caderno com caneta vermelha e voltou para casa lendo o livro que sua tia lhe dera de aniversário.

No final, não passou de um dia qualquer. Nada fora do comum que pudesse deixá-la aflita ou com uma alegria exuberante. Dentro de uma semana apagou este dia de sua memória como se nada fosse. Um dia feliz qualquer. Um dia feliz não podia ser um dia qualquer. Como ousou esquecer esta humilde quarta-feira dentre as outras trocentas segundas e terças que também usou seu vestido rodado favorito?

Vamos torcer por mais dias de sol, desejar mais “bom dias”, sorrir mais e rir dos nossos pulinhos de alegria. Sentar ainda mais pertinho de nossos amigos e aproveitar para também rabiscar o canto do caderno deles. Abraçar mais uma vez a sua tia pelo lindo livro que a presenteara e pelo seu próprio bom gosto de ter escolhido aquele vestido para o dia de hoje. :)

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