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  • PERRENGUES DE VIAGEM #1

    Oi, tudo bem? Aqui quem fala é a Jen Jeans e hoje eu vou lhes contar não somente a história do dia em que eu quase perdi as mãos (de tão congeladas) na Áustria, mas também o dia em que pela primeira vez na minha vida eu realmente decidi que eu ia pedir esmolas para desconhecidos.

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    Vienna – Austria

    Dia 27 de dezembro de 2016 eu voei para a Áustria com a minha host family (pra quem não sabe, sou au pair na Holanda). O combinado era eu ficar 2 dias com eles na casa dos avós das crianças e depois eu ia seguir meu rumo para uma cidadezinha chamada Krems, onde ia encontrar uma amiga.  Pois bem, assim que chegamos na casa dos avós eu vi em cima da mesa um envelope escrito ‘‘Welcome to Áustria Jennifer”. Abri e fiquei muito feliz em ver que a mãe do meu host tirou um tempo para juntar vários folhetos e revistinhas sobre Vienna, um deles até mesmo em português! Junto também tinha um ticket que me permitia andar pela cidade de Vienna de graça por um dia, seja de trem, ônibus ou subways. Infelizmente eu usei o meu ticket no dia errado.

    A viagem foi maravilhosa, embora o frio estivesse realmente queimando a minha pele. Quando eu parti para Krems, deixei algumas coisas na casa para não precisar carregar todas as minhas coisas na mala pesada. Claro que eu esqueci a minha luva, né, se não, não seria eu. Fiquei puxando a minha mala de rodinhas sem luva por várias horas num vento e num frio congelante. Eu acho que foi o dia que eu mais passei frio na minha vida, porque eu cheguei a chorar. Lágrimas caindo de frio.

    O sistema de transporte na Áustria apesar de ser muito bom, é também muito confuso. A língua falada lá é o alemão, e ao contrário daqui da Holanda, é mais difícil achar pessoas que falem em inglês. Tivemos que perguntar para várias pessoas, algumas não sabiam, algumas não entendiam nada, algumas estavam mais perdidas que nós. Mas ok, conseguimos.

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    Bratislava – Slovakia

    Havíamos planejado ir para uma cidade muito fofa chamada Salzburg, mas tivemos que desistir porque o preço da passagem só de ida estava 47 Euros. Por causa do fim do ano as passagens estavam mais caras. Resolvemos então ir para Bratislava, na Slovakia. Na hora de voltar quem disse que a pessoa que vende os bilhetes sabe falar inglês? Ela falava Eslovaquês (?). Aquele gelo no estômago, meu deus eu vou ter que ficar na Slovakia para sempre.Do nada surge uma mulher e diz em inglês ”Oi eu escutei que vocês querem comprar o bilhete mas não conseguem se comunicar, eu posso falar com ela por vocês” Foi um anjo, claro. Ela fez as devidas traduções e compramos nosso Ticket de volta para a Áustria.

    No dia 31 de dezembro nós decidimos que iriamos ficar de boa e só dar uma volta pela cidade mesmo. Mas, para chegar no centro precisávamos pegar um trem. Ele passava às 12:19 então ao meio dia nós saímos correndo, às 12:18 nós chegamos na estação, às 12:19 o trem não chegou, e  nunca passou. Esperamos, e esperamos, até  que a nossa ficha finalmente caiu. Os horários do trem no dia 31 estavam diferentes. Óbvio. Checamos online e vimos que só teria um trem dali a uma hora. Esperamos. Andar pela cidade foi bem legal. Tomamos vinho quente e a única tragédia foi a minha amiga ter pisado no cocô de cachorro. Voltamos para casa prontas para beber umas boas cervejas, afinal, era noite de ano novo. E os nossos fogos seriam as estrelas.

    O ano de 2017 me trouxe, logo no primeiro dia, uma das sensações que eu mais odeio na vida. Que eu já senti algumas vezes antes (assunto para os próximos capítulos dos perrengues de viagem), e que é se sentir completamente sozinha em uma situação ruim (não pensem que eu acho que ficar sozinha é uma coisa ruim), onde quase ninguém fala a sua língua, ou pelo menos uma língua que você sabe mais ou menos. Foi no dia 1º de Janeiro, eu estava voltando para a casa dos pais do meu Host Dad. Para começar a minha amiga não poderia ir comigo, então eu ia ter que me virar. Ok, I can do this!  Ela marcou para mim numa folhinha o número do trem que eu tinha que pegar e a plataforma em que eu deveria esperar. Segui as instruções e de acordo com o papel, o trem ia chegar em 2 minutos. Passagem comprada. Eis que o trem chegou. Entrei, Sentei. Fiz um snapchat de uma pessoa dormindo no chão do trem. Chegou o moço para conferir meu ticket. Entreguei e ele me olhou e disse algo que eu não entendi nada. E eu só consegui falar ”Eu estou no trem errado, não estou?” Ele me explicou que sim, que aquele trem era de outra companhia, uma empresa diferente, e que meu ticket não era válido, precisava comprar outro. A boa notícia era que o trem ia para no mesmo lugar que eu precisava ir (uma estação com um nome em alemão que eu nem sabia pronunciar). Perguntei quanto seria e aguardei de olhos fechados aqueles 2 segundos que se passaram antes dele começar a falar. ‘Nove Euros, moça”. Passei o cartão (ainda bem que ele tinha a máquina de cartão). Não funcionou uma e não funcionou duas. Limpei o cartão na blusa, e até pensei em dar uma lambida para ver se ajudava… passou! Tudo certo. Alguns minutos depois o trem parou e eu fiquei assustada porque naquele trem, acredite ou não, não tinha o monitor onde você pode ver qual  será a próxima estação. Levantei e fui procurar alguém para perguntar. Do nada, sem mais nem menos, um Blackout no trem. Tudo ficou escuro, e como estavámos dentro de um túnel, eu não conseguia ver nada na minha frente. Sabe aquele barulho de quando sai a luz da nossa casa? Foi bem assim. Ficou assim por menos de um minuto, depois voltou. Perguntei o que estava acontecendo e me falaram que a próxima estação estava com algum problema e o motorista desligou o trem para economizar energia. Eu fique tipo: AHAM, TÁ. Achei que a desculpa dele foi muito esfarrapada, mas acreditei. Cinco minutos depois o trem começou a andar de novo e o moço muito querido, vendo que eu já estava quase me matando, veio me avisar que a minha estação era a próxima.

    Finalmente cheguei em Vienna e agora só teria mais uma jornada pequena até o meu destino final. mal sabia eu que nesse meio tempo eu ia quase virar mendiga. Eu precisava pegar o subway, mas no subway eu já estava muito profissional então fui direto ao guichê comprar o bilhete. Custava 1,20 Euros. E meu cartão não passou de jeito nenhum. Eu tentei mais de 5 vezes e nada. Tentei olhar o aplicativo da minha conta para ter certeza que eu não estava zerada, a internet não funcionava. Comecei a olhar com cara de triste para as pessoas comprando seus tickets com seus cartões que funcionam, pensando que se alguém me perguntasse se eu estava bem, eu ia pedir 1,20 emprestado. Eu tinha certeza que tinha dinheiro no cartão, mas em cash ali na hora eu não tinha nada.

    Eu subi as escadas para ver se eu achava alguma velhinha com cara de querida. A minha ideia era comprar algo para ganhar troco, mas eu estava tão irritada que nem lembrei que ninguém faz isso com cartão. E também estava irritada demais pra lembrar de achar uma máquina ATM, que é onde você tira seu dinheiro do cartão. Depois de algumas tentativas com pessoas com cara de queridas, alguém me lembrou dessa possibilidade. Mas e se o meu cartão não passasse de novo? Se não passou lá em baixo, poderia não passar em lugar nenhum,  e daí sim eu teria que pedir moedas com certeza. Mas passou de primeira. Estava até segurando a respiração eu acho. Peguei meu dinheiro,
    passei pelo moço que me lembrou do ATM, falei obrigada, voltei até a máquina dos bilhetes e comprei, peguei meu subway, cheguei no meu destino. Achei uma wifi aberta e mandei uma mensagem para a host family avisando que eu já estava em Modling, a cidade dos pais dele.

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    Modling – Austria

    Celular vibrou e vejo uma mensagem ”Chegamos Jeni. Cadê você?” Fui tentar responder, sem luvas, só o meu dedo indicador ainda estava funcionando. Meu celular se desligou porque ele faz isso quando ele fica com frio. E o meu host lá esperando a minha resposta. Abri a minha mochila e achei meu carregador portátil. Deus queira que tenha bateria ainda. Tinha. Pluguei meu celular e imediatamente ele ligou de novo. Claro que nesse ponto eu já estava chorando. Primeiro porque eu sou chorona mesmo, e segundo porque eu fiz o meu host me buscar num lugar completamente errado. Consegui responder ”Na frente da escada azul”. E ele me devolve dizendo que eu estava no lugar errado, e que seriam mais 15 minutos dirigindo até onde eu estava. Quando ele chegou ele estava com a cara meio fechada, pedi desculpas e ele entendeu. Ficou tudo bem.

    As nossas viagens NUNCA são sempre flores. Embora a gente passe nos vídeos e fotos só as partes boas, não existe uma viagem sem um perrengue. Perrengues pequenos que não afetam o resultado final da viagem, mas eles sempre estão ali. Achei que seria legal compartilhar de uma forma descontraída a parte ruim também, até porque com essas histórias vocês podem ficar alertas de algumas coisas, por exemplo, sempre ter um pouco de dinheiro em especie em mãos. Espero que tenham gostado. Esses perrengues também vão estar no meu canal no Youtube, clica aqui.

    E as vezes também em tempo real, nas outras redes sociais.
    Instagram e twitter: @jeniferbtt
    Snapchat: jenibambinetti

    É isso aí, até a próxima. Um beijo e Tchau!